História - 5ºano - Explicando o que é democracia para crianças


A palavra democracia vem do grego. Nessa língua, demos significa povo e cracia quer dizer poder. Juntando as duas partes chegamos à conclusão que democracia significa poder do povo, ou ainda, poder no povo.

Parece incrível, mas tem muita gente que não sabe o que é democracia, o que ela garante e como funciona. Uma pista para descobrir o que é uma democracia é fazer a pergunta “Quem governa?”. Se na resposta aparecer a palavra povo, estamos falando de uma democracia, pois, neste caso, as decisões passam, de alguma maneira, pelo povo.

Democracia x Aristocracia

Hoje em dia, parece meio estranho falar de poder do (ou no) povo porque há muitos governos democráticos. Mas na época em que foi criado o termo democracia, era muito comum existirem regimes políticos nada democráticos, como a aristocracia.

Na aristocracia, o governo está na mão dos que se consideram melhores. O poder chega a mão dessas pessoas por conta de privilégios econômicos, sociais ou por hereditariedade e elas permanecem no comando por imposição ou pelo uso da força. Se o povo não concordar com o que eles decidem, não pode fazer nada para mudar.

Vamos dar um exemplo: Se na sua sala de aula a decisão sobre a festa de encerramento do semestre for discutida com a participação de todos os colegas ou entre representantes escolhidos da turma, estamos falando de uma democracia. Mas, se um dos alunos é filho de um empresário importante ou do prefeito da cidade, e por isso ele se acha no direito de mandar e escolher por todos, sem apoio da turma, aí estamos falando de uma aristocracia.

O caminho da democracia

A democracia pode ser trabalhosa. Geralmente, as vontades dos alunos (como no caso acima) ou do povo (como no nosso País) são bem diferentes. Alguns estudantes podem querer fazer uma festa de encerramento com dança e outros podem querer fazer uma feira com comidas e artesanato. Ou, no caso do Brasil, e de qualquer outra nação, alguns podem querer investir mais em educação e outros podem dar prioridade à economia.

O conflito de interesses é comum numa democracia porque todos são considerados iguais e a importância de cada um na hora de tomar uma decisão é a mesma. Ninguém vale mais que ninguém. Assim, pode demorar um bocado para se chegar a um acordo. Na democracia, não há como decidir rapidamente questões que são muito importantes. As decisões mais maduras, que beneficiam de forma mais ampla o povo e que resultam em um bem coletivo para a sociedade, precisam ser muito bem discutidas e isso leva tempo.


Direta ou representativa

Lá na Grécia era fácil ser democrático. Eram poucos os cidadãos e eles se reuniam em praça pública, chamada de Ágora, para discutir a política e os assuntos de interesse da comunidade. A pequena quantidade de cidadão pode ser explicada porque, naquela época, nem todos eram considerados cidadãos. Só os homens livres, nascidos na Grécia, que não precisavam trabalhar para sobreviver. Ficavam de fora da cidadania grega os homens trabalhadores, como comerciantes e artesãos, as mulheres, os escravos, os estrangeiros e as crianças.

Mas depois de tantos anos, o conceito de cidadania mudou e, com isso, mudou a forma de colocar a democracia em prática. O número de habitantes e cidadãos de cada nação cresceu muito. Na Grécia dos dias de hoje ou no Brasil, é impossível reunir os cidadãos numa praça para discutir os rumos da educação, da educação, do transporte, entre outros.

Já imaginou juntar os mais de 200 milhões de habitantes para discutir uma lei? Impossível, né? Por isso existe a democracia indireta ou representativa. Na impossibilidade de juntar essa gente toda para tomar decisões tão difíceis, os cidadãos precisam escolher entre eles alguns que os representem, ou seja, que discutam os assuntos importantes e tomem as decisões em nome de todos. Os cidadãos escolhem, por meio da eleição, quem os representará no poder.

Voto: um importante instrumento

Mas quais são os ingredientes que garantem uma democracia? O professor de Ciência Política Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB), explica: “Para existir uma democracia, é preciso que o povo tenha liberdade e participação. E a principal forma de participação é o voto”.

O voto é assim tão importante porque é por meio dele que escolhemos nossos representantes. Já que não podemos exercer o poder todos juntos (ou diretamente), é com esse instrumento precioso que dizemos quem pode governar no nosso lugar. E, se você pensar bem, vai ver que a democracia faz com que todos sejam iguais. Como? O voto de cidadãos diferentes (ricos ou pobres, alfabetizados ou não, empregados ou desempregados) tem o mesmo peso na escolha dos representantes. Um voto não vale mais do que o outro.

Como é viver sem democracia

Hoje, o Brasil é um república democrática. Temos um presidente que é chefe de estado e chefe de governo e elegemos nossos representantes. Além disso, nossos direitos estão assegurados pela Constituição de 1988, a mais recente da nossa história. Mas nem sempre foi assim. Em alguns momentos da nossa República, o governo brasileiro não foi democrático. Foram momentos em que o poder saiu das mãos do povo e ficou concentrado nas mãos de uma pessoa ou de um pequeno grupo.

Um desses momentos ocorreu entre 1937 e 1945, quando foi instituído por aqui o chamado Estado Novo, uma ditadura sob o comando do presidente Getúlio Vargas. Tratava-se de um verdadeiro governo autocrático (auto = em si mesmo e cracia = poder), em que o poder se concentrava na mão de uma figura – no caso, Getúlio. Naquela época, o Congresso Nacional foi fechado e o povo ficou sem poder eleger seus representantes.

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