Apropriação da leitura e escrita aos 6 anos

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Apropriação da leitura e escrita aos 6 anos


Escrever e ler são atividades distintas, relacionadas entre si, mas com especificidades. Quem aprende a ler uma língua não aprende automaticamente a escrevê-la. Assim, todo processo de alfabetização deve incluir atividades para a apropriação da leitura e atividades para o desenvolvimento da escrita.

Há duas vias possíveis de entrada para a leitura no cérebro: a semântica, na qual a palavra como um todo é identificada e reconhecida na memória pelo seu significado; e a via fonológica-ortográfica, em que o leitor percorre a palavra fonema por fonema, constituindo os morfemas até chegar à palavra toda. É necessário, igualmente, construir o significado, pois é possível ler pela via fonológica e não construir significado algum. Por exemplo, a sentença A fleva minura damber flarote pode ser lida por um leitor fluente, mas como as “palavras” não são parte do léxico do português (ou seja, não significam nada) ele não constituirá significado.

Em seu processo de desenvolvimento, a criança realiza várias aquisições que estão relacionadas à apropriação da leitura e da escrita, mas que, na verdade, antecedem o ato de escrever no papel propriamente dito. Muitas destas aquisições são da alçada da Educação Infantil e, também, da vivência escolar aos 6 anos.

O ensino da leitura envolve a apropriação do sistema da escrita e a formação de comportamentos de leitura. Formar uma pessoa leitora tem como base a comunicação humana, implica a partilha das ideias, informações, emoções e sentimentos. Tudo isso possibilitado pelo uso de um sistema simbólico – a escrita. Entender esta dinâmica de comunicação humana por meio da leitura é importante, pois não se trata somente de aprender a ler, mas de desenvolver uma forma de comunicação humana. 

Geralmente, encara-se a leitura apenas como uma aprendizagem escolar envolvendo competências cognitivas, deixando-se de lado a dimensão simbólica que é, de fato, o que a constitui como atividade humana. A leitura e a escrita são manifestações da capacidade humana de simbolizar. São, portanto, frutos da função simbólica. Desenvolver esta função é um eixo central da escolarização aos 6 anos de
idade.

O tempo na leitura é organizado pelo ritmo, duração e pausa. Para desenvolver estas características na criança, é preciso que ela se familiarize às seguintes formas de leitura: leitura ritmada, leitura ritmada com rima e leitura modulada. Estas formas de leitura são encontradas em poesia, cordel, letras de música (leitura ritmada); poesia, parlendas, canções infantis com rimas (leitura ritmada com rimas) e, finalmente, diversos tipos de narrativa (leitura com modulação). Desenvolver a sensibilidade à rima é uma das condições para a leitura, ouvir rimas faz parte deste processo. Escutar o adulto lendo é um dos passos iniciais para a criança se tornar leitora.

Passa-se, assim, à criança a mensagem de que para ler há vários procedimentos que podem ser utilizados. Isto é particularmente importante, pois em seu processo para se tornar leitora, ela vai se deparar com palavras, sentenças e textos que não serão imediatamente compreendidos. Nestes casos, mesmo quem já sabe ler há muito tempo, poderá ler em voz alta, mobilizando a memória auditiva com o que ele já tem na memória (léxico), o que o ajudará a identificar as palavras em seu acervo léxico.

Muitas das coisas que a criança precisa desenvolver para aprender a ler e a escrever, para se apropriar dos conhecimentos da matemática, das ciências, da história e dos outros conteúdos escolares são resultantes das práticas de infância. Assim, a criança “cria” condições de aprendizagem dos conhecimentos escolares por meio das brincadeiras, da prática cotidiana com a música, das atividades
gráficas e de modelagem. Por isso é importante que essas atividades continuem sendo desenvolvidas pelas crianças neste sétimo ano de vida.

Bibliografia:
LIMA, Elvira Souza. Como a criança pequena se desenvolve. São Paulo: Editora Sobradinho 107, 2001.
LIMA, Elvira Souza. A criança pequena e suas linguagens. São Paulo: Editora Sobradinho 107, 2002.

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