É possível alfabetizar durante o isolamento social?


**Lista com atividades para casa no final da página**

Manter as crianças aprendendo sobre o mundo da leitura e da escrita durante o isolamento social por causa da pandemia do novo coronavírus é uma tarefa docente que esbarra em obstáculos: as possibilidades de contato remoto com a turma, a expectativa das famílias e as relações entre o ensino e a aprendizagem. “Estamos em um cenário que não tem o que é crucial para a alfabetização: a interação o tempo todo, que permite ao educador considerar as elaborações dos alunos e que permite a eles trocarem ideias”, explica Miruna Kayano, coordenadora pedagógica dos anos iniciais do Ensino Fundamental da Escola da Vila, na capital paulista.

Ainda assim, existem maneiras de trabalhar explorando leitura, escrita e oralidade em casa, ainda que com menor intensidade e menos possibilidades. “É essencial seguir em frente com o trabalho desenvolvido antes da suspensão das aulas presenciais. Se a criança estava no início do processo de construção de conhecimentos sobre as palavras e de repente ficar totalmente alheia a esse contexto, não vai avançar tudo o que tem potencial”, explica Renata Frauendorf, coordenadora de projetos do Instituto Avisa Lá.

O que é preciso considerar
Levando em conta as condições que os alunos têm em casa, a disponibilidade de tempo das famílias para apoiá-los e a estrutura de acesso à internet e dispositivos eletrônicos, é possível planejar propostas simples, porém potentes. Vale apostar em vídeos, áudios, listas, indicações de textos literários e instrucionais (como receitas culinárias) para serem apreciados por toda a família. “O importante é que as atividades enviadas sejam contextualizadas, de forma que façam sentido para eles e permitam que se apropriem da escrita e da leitura ao mesmo tempo que compreendem a função social de ambos”, diz Miruna.

O que é possível fazer: confira estratégias para estimular a aprendizagem dos estudantes com propostas a distância.
1. Interação on-line: se for possível reunir a turma em chamadas de vídeo, o grande grupo é favorável para que as crianças conversem um pouco,  lembrando que são parte de um coletivo. Mediadas pelo educador, elas podem contar histórias umas para as outras e comentar as lidas pelo professor, por exemplo. Reunir os alunos em grupos menores é interessante para propor atividades que requerem mais atenção, como escrita do nome próprio ou de títulos de livros, além de proporcionar momentos para o esclarecimento de dúvidas e comentários sobre as produções das crianças, ajudando-as a avançar.

2. Escrita de parlendas, poemas e adivinhas: textos fáceis de serem memorizados como esses são úteis agora, não só porque são atrativos, como porque ajudam no trabalho de propostas mais complexas de escrita. Sabendo o texto de memória, as crianças podem focar a atenção e se dedicar ao “como” escrever (explorando a relação entre o texto falado e o escrito), sem ter de pensar “o que” escrever.

3. Leitura em voz alta pelo professor: ler para as crianças pode ter diferentes finalidades, dentre elas, proporcionar um momento de fruição ou disparar uma atividade de escrita (por exemplo, listar o nome dos personagens que participam da trama). O professor pode gravar em vídeo ou áudio e enviar o material para a turma ou recorrer o que já existe na internet.

4. Leitura em voz alta pela criança: convidar os estudantes para gravar áudio ou vídeo lendo (ou contando) histórias e sugerir que o arquivo seja compartilhado com os colegas é uma boa para estimular o comportamento leitor (inclusive de quem ainda não sabe ler convencionalmente) e exercitar a oralidade. 

Confira quatro boas indicações de vídeos e áudios de leitura de histórias e apresentação de parlendas

No canal da editora Brinque-Book, uma contadora de histórias e um músico apresentam mais de dez histórias, dentre elas, Bruxa, bruxa, venha à minha festa; Três tigres tristes; e O Grúfalo. 

Fafá e Thiago narram histórias diversas para que os ouvintes ouçam e imaginem as cenas ou acompanhem com o livro em mãos. Uma delas é Até as Princesas Soltam Pum.

A famosa dupla formada por Paulo Tatit e Sandra Peres apresenta parlendas famosas, como Macaca Sofia e Rei Capitão, musicadas e com animações, algumas delas acompanhadas de trechos escritos. 

A parlenda conhecida por tanta gente é cantada pela dupla em ritmo lento, o que permite à criançada ouvir com clareza cada palavra, para transcrever o texto depois, por exemplo.


Referência: Nova Escola

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