Interpretação de crônica com gabarito 6ºano

Atualmente, a crônica é um gênero literário que explora qualquer assunto, principalmente os temas do cotidiano. Nela o cronista comenta algum acontecimento ou situação real e atual. Geralmente as crônicas são escritas para serem publicadas em jornais e revistas e, mais tarde, podem ou não ser reunidas em livro. A crônica tem como característica o tom humorístico ou crítico.

Você irá ler uma crônica de Millôr Fernandes, cujo título é “Vaguidão específica”. Antes de iniciar a crônica o autor se apoia numa pequena frase (epígrafe) , a partir dela é possível imaginar sobre o que o autor vai falar. A partir da epígrafe, é possível inferir que autor irá fazer alguma “brincadeira” com a maneira vaga das mulheres falarem, mas que conseguem se entender apesar de... 

Nessa atividade, você precisará mobilizar conhecimentos prévios para compreender as entrelinhas do texto. O texto acima e a epígrafe são uma boa pista. É importante, pois, que você observe que o texto é um diálogo entre duas mulheres.

Observe ainda, que o título é contraditório, “vaguidão específica”. Pense um pouco, antes de iniciar a leitura, como algo pode ser vago e específico ao mesmo tempo? Leia o texto e veja se conseguiu compreender esse paradoxo.

LEIA O TEXTO E RESPONDA ÀS QUESTÕES 

A Vaguidão Específica

As mulheres têm uma maneira de falar que eu 
chamo de vago específica.” (Richard Gehman)


— Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte.
— Junto com as outras?— Não ponha junto com as outras, não. Senão pode vir alguém e querer fazer qualquer coisa com elas. Ponha no lugar do outro dia.
— Sim senhora. Olha, o homem está aí.
— Aquele de quando choveu?
— Não, o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo.
— Que é que você disse a ele?
— Eu disse pra ele continuar.
— Ele já começou?
— Acho que já. Eu disse que podia principiar por onde quisesse.
— É bom?
— Mais ou menos. Mas o outro eu acho melhor.
— Você trouxe tudo pra cima?
— Não senhora, só trouxe as coisas. O resto não trouxe porque a senhora recomendou pra deixar até a véspera.
— Mas traga, traga. Na ocasião, nós descemos tudo de novo. É melhor, senão atravanca a entrada e ele reclama como na outra noite.
— Está bem, vou ver como.

(Fernandes, Millôr. O Pif-Paf. O Cruzeiro, 1956 - www.millor.com.br )

QUESTÕES DE INTERPRETAÇÃO

a) Quem você imagina que são as interlocutoras nessa conversa?

b) Sobre o que parece que elas estão conversando?

c) É possível dizer, com certeza, a que coisas, pessoas ou fatos que elas se referem? Por quê?

d) Quais são as palavras utilizadas no texto para substituir as coisas ou pessoas?

e) Imagine que você esteja assistindo à cena mencionada no texto. Seria possível identificar as pessoas,fatos, objetos? Por quê?

f) Depois de ler a trilha do conhecimento e o texto, explique por que o texto chama-se “Vaguidão específica”.

GABARITO

a) Resposta pessoal, mas espera-se que o(a) estudante observe que a conversa acontece entre duas mulheres.

b) Considerando os elementos indicados no texto – o homem que vai fazer um serviço; coisas que precisam ser transportadas; uma das mulheres fala em ocasião – é possível imaginar a preparação da casa para uma festa, por exemplo.

c) Não, porque as indicações são vagas para o leitor; provavelmente elas sejam claras para as próprias personagens que têm no contexto mais imediato os referentes que faltam para o leitor.

d) Isso; outras; alguém; qualquer coisa; no lugar; outro dia; aquele; ele; outro; tudo; as coisas.

e) No caso de estar assistindo à cena, talvez fosse mais fácil identificar os elementos por ter acesso a eles.

f) Algo que é vago, não tem como ser específico, é contraditório, mas no texto faz sentido porque apesar disso, as duas pessoas conseguem se entender perfeitamente.

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