Produção escrita 4ºano - Plano de acordo com a BNCC (habilidades)

PRODUÇÃO ESCRITA – VERBETES CRIATIVOS
4 AULAS

EIXO:
Escrita

UNIDADE TEMÁTICA:
Estratégias de produção

OBJETO DE CONHECIMENTO:
Planejamento, revisão e edição do texto

INTRODUÇÃO
A escrita, inserção do sujeito no mundo como autor da sua palavra, mobiliza um tipo de interlocução com outros sujeitos e com outras compreensões/visões de mundo sobre a realidade. 

No caso da aprendizagem do sistema de escrita alfabética e da produção textual na escola, experienciar situações de escrita e aprender a escrever possibilita que os alunos ampliem suas referências para além do seu grupo social, para que possam ter ferramentas mais críticas e criativas de participação social, um direito de cidadania. 

Considerando que o processo de escrever é tarefa complexa, processual, mas possível e necessária, tematizar sentimentos com os quais os alunos lidam no cotidiano pode ser uma oportunidade ímpar de tratar deles, escrevendo e refletindo sobre isso com os colegas. 

E mais: aliar aspectos ficcionais da literatura a um gênero textual como o “verbete de enciclopédia” abre possibilidades criativas e prazerosas de descobertas, de compartilhamentos, de explicitações de emoções e de aprendizagens aos alunos.

OBJETIVO GERAL:
Produzir texto do gênero textual “verbete”, de forma criativa e lúdica, a partir de uma pesquisa sobre monstros, para tematizar o sentimento “medo”.

OBJETIVO ESPECÍFICO:
Favorecer o desenvolvimento das seguintes habilidades do componente curricular Língua Portuguesa:

(EF35LP07) Planejar, com a ajuda do professor, o texto que será produzido, considerando a situação comunicativa, os interlocutores (quem escreve/para quem escreve); a finalidade ou o propósito (escrever para quê); a circulação (onde o texto vai circular); o suporte (qual é o portador do texto); a linguagem, organização, estrutura; o tema e assunto do texto.

(EF04LP19) Produzir textos sobre temas de interesse, com base em resultados de observações e pesquisas em fontes de informações impressas ou eletrônicas, incluindo, quando pertinente, imagens e gráficos ou tabelas simples, considerando a situação comunicativa e o tema/assunto do texto.

(EF04LP21) Utilizar, ao produzir o texto, conhecimentos linguísticos e gramaticais: regras sintáticas de concordância nominal e verbal, convenções de escrita de diálogos (discurso direto), pontuação (ponto final, ponto de exclamação, ponto de interrogação, dois-pontos, vírgulas em enumerações), regras ortográficas.

(EF04LP22) Utilizar, ao produzir o texto, recursos de coesão pronominal (pronomes anafóricos) e articuladores de relações de sentido (tempo, causa, oposição, conclusão, comparação), com nível suficiente de informatividade.

(EF35LP10) Reler e revisar o texto produzido com a ajuda do professor e a colaboração dos colegas, para corrigi-lo e aprimorá-lo, fazendo cortes, acréscimos, reformulações, correções de ortografia e pontuação.

(EF35LP11) Reescrever o texto incorporando as alterações feitas na revisão e obedecendo às convenções de disposição gráfica, inclusão de título, de autoria. 

METODOLOGIA 

AULAS 1 e 2

Conteúdo específico:
Planejamento do texto a ser produzido, tratando do contexto de uso e de suas características textuais e linguísticas.

Gestão dos alunos:
Alunos organizados coletivamente e em duplas.

Recursos didáticos:
Pesquisa na internet, materiais escritos.
Pesquisa com depoimentos de pessoas.

Habilidade:
(EF35LP07)

Encaminhamento

1. Converse com os alunos sobre a finalidade deste plano: produzir verbetes criativos, de forma lúdica, tematizando o sentimento “medo”.

2. Para auxiliar os alunos no planejamento do texto a ser produzido, é necessário repertoriá-los quanto ao gênero textual a ser produzido e ao tema “medo”.

3. Comece pelo tema, questionando os alunos: Quem tem medo de quê? Esta é uma boa hora para eles falarem a respeito dessa questão, muitas vezes, tão delicada. Se o próprio professor também falar de seus medos, será interessante para os alunos, sem dúvida. Faça desse momento descontraído um bom início para que os sentimentos de medo aflorem e a turma possa falar sobre isso. 

4. Aproveite para aprofundar o tema que será tratado no verbete, a conversa pode ir se encaminhando para um medo específico: “medo de monstros”, pois eles podem simbolizar muitos medos que, muitas vezes, não explicitamos para nós mesmos: Alguém tem medo de monstro? Por quê? Vocês se lembram de filmes, contos, histórias em quadrinhos, livros da literatura em que há monstros? Faça, então, com as contribuições dos alunos, uma lista desses “monstros” e conversem sobre isso. 

5. Em seguida, solicite aos alunos uma pesquisa na internet, na biblioteca da escola ou em outros materiais sobre monstros, o que ampliará o repertório deles a respeito do tema da produção escrita. É possível ainda pedir que adultos, na escola e na família, colaborem com essa lista dos monstros que conhecem, com base em histórias (os famosos “causos” são exemplos interessantes), filmes etc. Vai ser bem divertido. 

Sugestões de mídias que tratam do tema “monstros”:

Livros
Condomínios dos monstros, de Alexandre de Castro Gomes e Cris Alhadelf. Belo Horizonte: RHJ, 2010.
Frankenstein, de Mary Shelley e quadrinhos de Marion Mousse. São Paulo: Salamandra, 2009.
Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak. São Paulo: Cosac & Naify, 2014.

Filme
Monstros S.A. Direção de Pete Docter. EUA, 2001. (1h 32min)

6. Nos momentos anteriores, os alunos foram repertoriados quanto ao tema dos verbetes que produzirão. A partir daqui, o repertório refere-se ao gênero textual “verbete”, por isso, solicite que coletem informações em portadores textuais diversos (jornais, revistas, internet etc.) cujo termo de entrada seja “monstro”. A seguir, está o verbete do Dicionário Eletrônico Houaiss. Discuta com os alunos elementos como:

  • o termo de entrada em negrito: o que está sendo definido e sua classe gramatical, no caso “substantivo masculino”;
  • a definição: características próprias e essenciais de um objeto ou ideia;
  • a enumeração de significados: características do termo de entrada, com o uso de numeral cardinal e de ponto e vírgula.

► monstro
■ substantivo masculino

1 ser disforme, fantástico e ameaçador, ger. descomunal que pode ter várias formas e cujas origens remontam à mitologia

2 qualquer ser ou coisa contrária à natureza; anomalia, deformidade; monstruosidade

3 qualquer ser ou coisa horrenda, pavorosa, excessivamente feia e/ou bizarra

4 corpo de conformação anômala na sua totalidade ou em uma de suas partes; aberração

5 indivíduo muito ruim, cruel; indivíduo desumano, atroz

6 algo que se caracteriza pelo fato de ser colossal, descomunal 

7. Como os alunos produzirão “verbetes” que chamaremos de “criativos”, no sentido de que imaginarão, inventarão seus monstros, a estrutura do texto será mais livre, lúdica, bem-humorada. Há vários livros no mercado que tratam desse tipo de verbete que são muito interessantes e inusitados. Solicite uma pesquisa a respeito e ofereça para leitura e reflexão algumas publicações que são verdadeiras “enciclopédias criativas”, para que os alunos conheçam o gênero textual “verbete” e seus portadores. 

Sugestões de enciclopédias e livros com verbetes criativos:

A outra enciclopédia canina, de Ricardo Azevedo. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1997. O autor trata de forma lúdica das principais raças de cães, com uma preferência escancarada pelo vira-lata.

Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças, de Javier Naranjo. Rio de Janeiro: Foz, 2013.

Chico na Ilha dos Jurubebas: verbete enciclopédico. TV Escola.

Como fazíamos sem..., de Bárbara Soalheiro. São Paulo: Panda Books, 2006. A autora faz uma divertida e curiosa viagem aos objetos ou invenções que nem sempre existiram, como o papel higiênico.

Dicionário de humor infantil, de Pedro Bloch. São Paulo: Ediouro, 1997.

Filho, de Guto Lins. Rio de Janeiro: Globo, 2003.

Mãe, de Guto Lins. Rio de Janeiro: Globo, 2003.

O guia dos curiosos, de Marcelo Duarte. São Paulo: Panda Books, 2005.

Pai, de Guto Lins. Rio de Janeiro: Globo, 2004.

Pequeno manual de monstros caseiros, de Stanislav Marijanovic. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998.

Poemas para brincar, de José Paulo Paes. São Paulo: Ática, 2011.  No final do livro, há um abecedário com significados inusitados.

AULAS 3 e 4

Conteúdo específico:
Produzir verbetes criativos com o tema “monstros”.

Gestão dos alunos:
Alunos organizados individualmente, em dupla e coletivamente.

Recursos didáticos:
Produções escritas dos alunos.

Habilidades:
(EF04LP19); (EF04LP21); (EF04LP22); (EF35LP10); (EF35LP11). 

Encaminhamento

1. Proponha aos alunos que, tendo em vista o que foi discutido, pesquisado, aprendido sobre “monstro” e “verbete”, elaborem “verbetes criativos” para uma enciclopédia da turma, que será divulgada junto aos colegas de outras classes. 

2. Solicite que produzam a primeira versão de seus “verbetes criativos”, começando por imaginar seu monstro:  Como ele é fisicamente? É parte gente e parte animal? Tem uma cabeça enorme e um pezinho? Onde mora? Mora com quem? O que gosta de fazer? Como assusta as pessoas?  Enfim, quanto mais detalhes houver para o monstro, melhor ele ficará caracterizado e definido. Eis uma grande oportunidade para os alunos soltarem a imaginação e fazerem a primeira versão de seus monstros.

3. Elaborada a primeira versão do verbete, os alunos serão os primeiros leitores de seus textos. “Tomar distância” do que se produziu auxilia a melhorar a produção, pois se age como leitor, enxergando o que, à primeira vista, não enxergamos em termos de conteúdo e de forma. Sabemos que o papel de escritor e de leitor são fundamentais para a produção de um texto. Quando os alunos têm a oportunidade de viver os dois papéis, seu texto pode ter outra qualidade.

4. Em seguida, convide os alunos a se sentarem em duplas para um ler o texto do outro. Os leitores sugerem modificações, solicitam explicações sobre partes do texto que não ficaram claras etc. 

5. Solicite que, com as contribuições dos colegas, cada aluno faça uma segunda versão de seu texto e aguarde outro processo de revisão textual, que será coletiva. 

6. Em seguida, escolha um verbete produzido por um dos alunos (combinado com ele previamente) para fazer uma revisão coletiva no quadro de giz, no computador em datashow ou entregando o texto impresso para todos. Esse momento é bastante rico. Esclareça aos alunos que a “revisão coletiva” é um processo que torna o texto mais claro, e até mais bonito, porque selecionamos certas palavras que ficam mais elegantes ou mesmo mais engraçadas, já que estão produzindo um “verbete criativo” sobre monstros. 

7. Enfatize junto aos alunos que a revisão não é apenas ortográfica, gramatical, mas também diz respeito aos elementos de coesão textual, como forma de recuperar as relações entre partes do texto, tendo em vista sua continuidade. Para isso, discuta com eles a respeito das:

substituições lexicais: quando substantivos devem ser substituídos por sinônimos para que não haja muita repetição de palavras que se equivalem;

substituições pronominais: uso de pronomes anafóricos (pessoais, possessivos, demonstrativos), os quais se referem a palavras ou expressões que já ocorreram no texto, como forma também de não haver repetições desnecessárias.

8. Proponha que, a partir das discussões anteriores, os alunos façam a terceira versão dos “verbetes criativos”.

9. Com essas produções, faça uma última revisão dos textos dos alunos e devolva a eles para que escrevam a última versão para a composição da “enciclopédia da turma”. Considerando as dúvidas dos alunos, aproveite para recolher dessas produções questões que necessitam de aprendizagens específicas e, em outros momentos, em situações didáticas planejadas, trate dessas questões. 

10. Com as produções finais, organize uma enciclopédia junto com os alunos. Criem capa, página de rosto, sumário, ilustrações. Escolham o título da publicação, que também deverá ser divertido e criativo, e isso pode ser feito acrescentando adjetivos ao substantivo monstro, por exemplo: monstros divertidos, monstros supermonstruosos, monstros silenciosos.

11. Ofereça à biblioteca da escola a enciclopédia criativa, o que será um gesto significativo para os alunos que produziram seus verbetes, tendo em vista leitores da escola e fora dela.

SUGESTÃO DE FONTES PARA O PROFESSOR

BRANDÃO, Helena Nagamine. Gêneros do discurso na escola: mito, conto, discurso político, divulgação científica. São Paulo: Cortez, 2000. v. 5. (Col. Aprender e ensinar com textos).

DIONISIO, Ângela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, M. Auxiliadora (Org.). Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.

SUGESTÕES PARA VERIFICAR E ACOMPANHAR A APRENDIZAGEM DOS ALUNOS
É possível verificar e acompanhar a aprendizagem dos alunos por meio de observações e anotações do professor que sintetizem os diferentes momentos trabalhados, como: 

1. Participação oral de cada aluno da turma, quando solicitada, para contribuir com o que foi proposto: quem fala e não ouve; quem apenas ouve. Quais encaminhamentos poderão ser feitos para alterar esse quadro de forma a garantir uma participação mais equilibrada?  

2. Como a proposta de trabalho ampliou a referência dos alunos em relação a monstros? Aconteceram reflexões importantes sobre os medos dos alunos e como lidam com isso? Será que escrever sobre o medo ajuda a elaborá-lo? Boa reflexão...

3. Os alunos ampliaram seu repertório relativo ao gênero textual “verbete”, bem como ao portador “enciclopédia”?

4. O processo de escrever proposto, considerando o planejamento, a produção e a revisão/edição, foi conversado explicitamente com os alunos? Por quê? 

5. Os trabalhos em dupla favoreceram as aprendizagens não somente do conteúdo específico, mas também da relação verbal dos alunos, uma vez que todo ato de linguagem é uma negociação de sentidos. Assim, os papéis enunciativos (quem escreve, quem lê, quem fala, quem dita, quem ouve) foram alternados na dupla ou não? Os alunos divertiram-se com o que foi proposto? Como isso foi percebido?

FICHA DE AUTOAVALIAÇÃO



Nenhum comentário:

Postar um comentário