Atividade de Arte - Técnica de frottage - Habilidades: EF15AR01, EF15AR05 - Cada coisa tem seu jeito

 

Título:
Cada coisa tem seu jeito

Objetivos de aprendizagem

Explorar o contato visual e tátil no contato com as superfícies dos objetos.
Objeto de conhecimento: Processos de criação (Artes visuais).
Habilidade trabalhada: (EF15AR05) Experimentar a criação em artes visuais de modo individual, coletivo e colaborativo, explorando diferentes espaços da escola e da comunidade.

Perceber a textura como elemento da linguagem visual.
Objeto de conhecimento: Contextos e práticas (Artes visuais).
Habilidade trabalhada: (EF15AR01) Identificar e apreciar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético.

Tempo previsto:
200 minutos (4 aulas de aproximadamente 50 minutos cada)

Materiais necessários:
Giz de cera grosso em cores escuras, papel sulfite branco tamanho ofício, papel kraft (rolo ou folha avulsa de 70x50 cm), tesoura com pontas arredondadas, cola branca, imagens ou mídia com obras de frottage de Max Ernst, equipamento multimídia para exibição das imagens.

DESENVOLVIMENTO
Etapa 1 (Aproximadamente 50 minutos/ 1 aula)
Pesquise, antecipadamente, imagens de obras do artista Max Ernst (1891-1976), em especial as criadas com a técnica da frottage. Selecione imagens que lhe pareçam mais representativas do uso aleatório da textura na representação figurativa do artista. Providencie a exibição dessas imagens, seja de forma impressa ou digital.

Nessa sequência didática, a vivência lúdica é fundamental para que o aluno seja capaz de identificar texturas na natureza, nos espaços construídos que frequenta e entre os objetos que fazem parte da sua vida.

Em primeiro lugar, convide a turma para um passeio do lado de fora da sala de aula. Vocês explorarão todo o espaço físico da escola e o “jogo” será descobrir materiais diferentes dos quais são feitas as coisas; a cada descoberta, uma vitória. Além de olharem, os alunos também passarão a palma da mão e/ou os dedos sobre todas as superfícies que puderem, isso é muito bom para a identificação do conceito de textura. Explore com o grupo, por exemplo: o chão de terra, de grama, de cimento, de madeira. 

Pergunte se conseguem identificar diferenças entre texturas de diferentes materiais. Solicite que se sentem sobre as superfícies e passem as mãos e os dedos sobre elas. 
Pergunte: a aparência de uma superfície corresponde à sensação de tocá-la? O que você sente quando toca a grama, a terra, a madeira, o cimento? Frio, calor, arrepio, nojo, felicidade, coceira, aspereza... E quando apenas olha para esses mesmos materiais? Os alunos poderão citar sensações táteis ou sentimentos que as texturas lhes despertam. Incentive os alunos a verbalizarem suas experiências. Pergunte: e o que significa a palavra textura? Existem texturas naturais (terra, casca de abacaxi, plantas, pedras, etc.); e as artificiais (cestos, botões, papéis, plásticos, etc.). Ao retornar para a sala, faça uma lista dessas texturas na lousa; vá acrescentando à medida em que forem falando sobre outras. Explique aos alunos que existem texturas que são táteis, isto é, que podem ser sentidas com o tato, o toque; e texturas que são visuais, que só podem ser observadas, como por exemplo, um papel ou tecido estampado.

Com a ajuda de um dicionário, apresente aos alunos o significado da palavra textura (exemplo: se refere à aparência da superfície das coisas. Ela pode ser sentida pelo tato, distinguindo sensações como rugoso, liso, áspero, macio, etc. Por extensão, pode também ser percebida pela visão). Há texturas nos tecidos das nossas roupas. Peça que sintam as texturas de suas roupas, sapatos, etc.
Permita que os alunos expressem suas opiniões sobre a vivência de procurar texturas pela escola. Nessa conversa será importante ressaltar que podem existir diferenças entre o que se vê e o que se sente ao tocar.  

Etapa 2 (Aproximadamente 100 minutos/ 2 aulas)
Com os alunos em roda, comece apresentando algumas imagens de obras de Max Ernst. Explique que ‒ assim como eles fizeram na etapa anterior ‒, em 1925, um artista “inventou” esse jeito de “caçar” texturas para fazer seus trabalhos. Max Ernst criou um método de produção, na época do movimento Surrealista, que consistia em fazer, com material de desenho, uma "fricção" sobre superfícies texturizadas. 
Ernst teve a ideia de colocar uma folha de papel no chão de madeira de seu ateliê e copiar a sua textura. O que se tornou muito interessante é que o artista não colhia texturas iguais às dos objetos que representava em seus desenhos ou pinturas; sua ação é rápida e aleatória; por exemplo, ele não colocaria textura de madeira sobre uma pintura que representasse uma mesa, ele poderia colocá-la sobre o desenho de um corpo de animal, por exemplo.
Pergunte aos alunos se o artista pode desenhar um animal que tenha na pele textura de madeira. Permita que argumentem até que você possa levantar a questão da invenção na arte: um artista pode inventar o que não existe na vida real? E nós, também podemos?

Comente sobre a obra desse artista, não se prendendo somente a dados biográficos e de sua participação no movimento Surrealista; fale de sobre sua produção artística. O mais importante é ressaltar o aspecto da curiosidade, da exploração do mundo real, da liberdade de escolha que é natural aos processos criativos; da frottage como um meio de conhecimento do entorno.
Comente com os alunos sobre as imagens que você selecionou. Pergunte: o que vocês veem aqui? Essa imagem nos lembra algo que conhecemos? Há algo de estranho nela? De onde poderia ser essa textura?, etc. Permita que os estudantes falem bastante sobre suas observações e que questionem uns aos outros.

Ao término da conversa, explique o trabalho a ser feito nessa etapa: vamos colocar uma folha de papel na superfície que escolhermos, esfregando um giz de cera ou lápis grafite no papel para coletar a impressão dessas superfícies. 

Distribua as folhas de papel sulfite, o material de desenho e sugira aos alunos que, como numa expedição, recolham uma porção de texturas que encontrarem pelo caminho, na sala de aula. Caso seja possível, permita que eles pesquisem as texturas novamente pelos corredores e por outros ambientes da escola. Diga-lhes que existem muitas texturas a serem descobertas e que para isso é melhor que se espalhem individualmente no caminho. Isso evitará que os alunos tragam os mesmos resultados. A multiplicidade de escolhas, com sua diversidade, é o que garantirá o sucesso dessa atividade.
Acompanhe os estudantes nesse percurso, garantindo a diversidade das texturas colhidas. Traga todos de volta com seus trabalhos e peça-lhes breves comentários sobre a “expedição”.

Etapa 3 (Aproximadamente 50 minutos/ 1 aula)
Em posse das folhas de texturas coletadas, os alunos prosseguirão seu trabalho nessa aula. Explique que Ernst usava as texturas coletadas para criar novos desenhos que se parecem com criaturas fantásticas e que, agora, esse é o desafio dos estudantes!

Divida a turma em três ou quatro grupos. Com os alunos sentados, preferencialmente no chão, distribua material de desenho e um grande pedaço de papel kraft para cada grupo. Solicite a cada grupo que desenhe um tema de fundo e seus personagens (floresta, cidade, fundo do mar, mundo subterrâneo, espaço, etc). Após terminarem seus desenhos, distribua as folhas com as quais registraram as texturas e solicite que selecionem, entre elas, as que podem ser recortadas e coladas sobre seus desenhos: no relevo da montanha, na pele do dinossauro, nas asas da joaninha, na roupa do astronauta, etc.

Na hora da colagem ocorrerá um processo criativo em que os estudantes poderão aprender novas possibilidades para desenvolver seus trabalhos de colagem. As texturas recortadas terão de preencher alguns “vazios” dos desenhos, emprestando-lhes novos significados. Por exemplo, num desenho que represente o grande telhado de uma casa, poderia ser colado “um pedaço de textura” do vidro da janela da sala de aula, a textura do ralo do banheiro, ou ainda, a textura de um sapato, por exemplo. 
Esse é um trabalho individual que se transformará em coletivo. Na finalização, os alunos poderão trocar as texturas entre si, enriquecendo ainda mais o tema escolhido. Ao término, oriente os alunos a apreciarem as produções da turma e as diferentes possibilidades de uso da textura.
Avaliação
A avaliação deverá ser contínua, ocorrendo em todas as etapas do desenvolvimento da atividade. Poderão ser avaliados a participação e o envolvimento dos alunos, o interesse pelo assunto, o trabalho individual e em grupo, a organização e o desenvolvimento das ações criativas.  

Durante o desenvolvimento das atividades, observe:
• o aluno compreendeu o conceito da textura e conseguiram identificá-las no espaço percorrido?
• o aluno experimentou com interesse e curiosidade o conceito aprendido? 
• o aluno foi capaz de conferir materialidade estética aos seus experimentos, utilizando as referências e informações que recebeu sobre o trabalho do artista Max Ernest?
• o aluno percebeu a diferença entre textura gráfica e textura tátil?

Após o trabalho com a sequência didática, trabalhe com os alunos a autoavaliação a seguir. Se preferir, reproduza as questões na lousa e peça aos alunos que as copiem e respondam.

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