Plano de aula de Arte de acordo com a BNCC (4ºano) Habilidade EF15AR23 (esculturas)


Arte pública: interatividade e materialidade
Duração: 2 aulas

Introdução
Esta sequência didática tem o objetivo de sensibilizar os estudantes para a relação da arte com a cidade e mostrar como a materialidade de uma escultura permite explorar aspectos lúdicos, muitas vezes imprevistos. Para isso, serão abordadas a escultura Sem título (1997), de José Resende, e a relação que o público estabeleceu com ela no parque Ibirapuera, em São Paulo. O público percebeu que atirando pequenas pedras na chapa de metal da qual é feita a escultura extrai-se sons surpreendentes.
Nesse sentido, as atividades propõem experimentar o desenho e a escultura como processos de criação e sensibilização quanto às possibilidades insuspeitas no uso dos objetos.
A indicação da obra e do artista é apenas uma sugestão. Você também pode selecionar outros artistas, com os quais tenha mais familiaridade ou de sua preferência, e adaptar as atividades como melhor lhe convier. O importante é sempre manter o encaminhamento de acordo com os objetivos e as habilidades indicados logo a seguir.

Objetivos de aprendizagem
Esta sequência tem o objetivo de explorar, na unidade temática Artes Integradas, o seguinte objeto de conhecimento e respectiva habilidade:

Processos de criação
(EF15AR23)
Reconhecer e experimentar, em projetos temáticos, as relações processuais entre diversas linguagens artísticas.

Os objetivos específicos desta sequência didática, alinhados com a habilidade EF15AR23, são:

• Sensibilizar os estudantes para a relação da arte com a cidade;
• Perceber que a arte pode ser surpreendente;
• Compreender o uso do desenho como projeto na produção de uma escultura;
• Conhecer as materialidades mais comuns da escultura;
• Relacionar a escultura à música;
• Supor novos usos para os objetos.

Recursos e materiais necessários

AULA 1
Reprodução fotográfica da escultura Sem título (1997), de José Resende. Obra de propriedade do Museu de Arte Moderna (MAM), exposta no Jardim das Esculturas, no Parque do Ibirapuera (SP). Doação Instituto Itaú Cultural. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br (Imagem da obra)

Mais informações sobre o artista, disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br, e no programa Oncotô, do músico Jorge Mautner, disponível em: <https://www.youtube.com>. 

Papel sulfite e lápis preto.

AULA 2
Sucata: embalagens plásticas em geral, tesoura com pontas arredondadas, tinta guache.
Jornal para forrar o chão.

DESENVOLVIMENTO

Aula 1
Duração:
uma aula de 40 minutos.

Organização dos estudantes:
Atividades individuais.

1ª atividade
Comece a aula com uma conversa, a fim de entender como os estudantes percebem a arte na cidade. Procure verificar se os estudantes conseguem identificar manifestações artísticas sem que necessariamente sejam relacionadas por algum índice como arte (esculturas, grafites, intervenções urbanas: performances, instalações, danças, espetáculos circenses e teatrais, shows musicais). Você pode orientar a conversa por meio das perguntas a seguir:

• Quantas manifestações artísticas você consegue identificar no trajeto de casa até a escola? Quais?

• Quais são mais comuns próximas à casa onde você vive?

• Quais são mais comuns próximas à escola?

• Há alguma escultura próxima à sua casa ou à escola?

• Como você se relaciona com ela?

• Você apenas observa ou já brincou com alguma escultura? Como?

• Você já se surpreendeu ao ver alguma obra de arte ou apresentação artística em algum espaço público? Como foi essa experiência?

Nesse momento, estimule os estudantes a falar a respeito das próprias experiências e repertórios. Mostre que há uma grande variedade de manifestações artísticas e de possibilidades de respostas. Procure valorizá-las.

2ª atividade
Nesta atividade, comece dizendo que vocês vão se concentrar num tipo específico de arte que está presente na cidade: a escultura. Essa linguagem artística, muito antiga, pode ser caracterizada por apresentar objetos tridimensionais de diferentes materiais, em geral metal, madeira, argila e pedra.

Apresente a imagem da escultura Sem título (1997), de José Resende, e pergunte aos estudantes se já viram essa obra ou outra parecida com ela antes. Pergunte onde eles imaginam que essa obra está exposta e deixe que os estudantes manifestem suas hipóteses. Conte que a escultura está no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Ela é feita de uma chapa de metal recortada e fica exposta na área externa do Museu de Arte Moderna (MAM), no Jardim das Esculturas.

Explique então que José Resende é formado em arquitetura. Nessa profissão, o desenho é usado para estabelecer um plano daquilo que será construído depois: uma casa, um prédio ou até uma escultura. Por isso, em geral, José Resende começa com a produção de muitos desenhos (esboços), para estabelecer um projeto (um desenho definitivo), até a produção efetiva da escultura. Ele utiliza muitos materiais comuns nas cidades: vergalhões, perfis de metal, vidro, etc. O aproveitamento desses materiais comuns na cidade e o deslocamento dos objetos para ambiente expositivos criam novos significados na relação do artista com a cidade: tornar arte o que antes tinham uma função construtiva.

Mostre novamente a fotografia da escultura e distribua duas folhas de sulfite para cada estudante. Peça que tentem imaginar qual foi o desenho que José Resende fez ao planejar essa escultura e se ele fez apenas um ou mais de um desenho antes de criar sua obra. Para finalizar, solicite que façam um desenho dessa escultura o mais detalhado possível.

Acompanhe a produção dos desenhos, conversando com os estudantes.

Estimule-os a pensar nas etapas para construir uma escultura. Investigue com eles se esse desenho poderia ajudar construir uma escultura. Se o desenho for aceito como uma das etapas, quais as próximas? Há informações importantes que podem alterar o resultado, como escolha do material, tamanho, processo de produção, local de exposição, etc.

Nesse momento, o objetivo é que os estudantes considerem algumas etapas de um planejamento e entendam que a organização é importante para executar qualquer projeto, seja ele uma obra de arte, a construção de um edifício, ou mesmo as tarefas de sala de aula.

3ª atividade
Depois, proponha aos estudantes o seguinte exercício de imaginação: vocês foram convidados para criar uma escultura que será exposta em um local público. Vocês podem escolher como fazer a escultura e onde gostariam que seu trabalho fosse exposto. Solicite, então, que usem a outra folha para fazer um desenho da escultura que fariam nessa situação.

Reforce a ideia de que o desenho aqui tem o objetivo de planejar a escultura, então é importante que os estudantes pensem na maior quantidade de detalhes que conseguirem para poder realizar a obra, embora a escultura não vá ser produzida nesta aula.

Com os desenhos prontos, pergunte aos estudantes em que parte da cidade gostariam de expor sua escultura e por quê. Nessa etapa, eles podem justificar a colocação da escultura por motivos pessoais, por exemplo, porque é próximo à casa ou à escola ou porque está próximo de algum lugar de que gostam de visitar. Importante é que reconheçam características positivas no objeto produzido por eles.

Lembre-se de guardar os desenhos no portfólio da classe.

4ª atividade
Encerre a aula com uma conversa a respeito das manifestações artísticas na cidade. Estimule-os a perceber manifestações em que antes não haviam reparado e procure mostrar que todas as manifestações devem ser respeitadas. Lembre-os de que a escultura feita por José Resende é um objeto que pode ser produzido com base num plano estabelecido pelo desenho, mas que há outros processos de criação.

Aula 2
Duração:
uma aula de 40 minutos.
Organização dos estudantes: Sala de aula sem carteiras, para que os estudantes possam realizar as atividades no chão, organizados em grupos de quatro integrantes.

1ª atividade
Comece a aula lembrando aos estudantes da escultura Sem título (1997), de José Resende. Mostre novamente a fotografia da obra e comente que é uma chapa de metal com cortes e dobras, para que a estrutura fique de pé. Então, pergunte aos estudantes o que acham que fariam se vissem a escultura ao vivo, ou o que fizeram, caso já tenham tido contato com ela. Você pode orientar a conversa pelas perguntas a seguir:

• “Como você costuma se comportar diante de uma escultura?”

• “Você apenas a observa?”

• “Já esteve diante de alguma escultura interativa?”

• “Já viu alguma escultura sonora? Como foi para você estar diante dela?”

• “Já pensou numa escultura como espécie de brinquedo?”

• “O que vocês fariam se estivessem diante dessa escultura? Teriam vontade de interagir: tocar, cheirar, atirar pedrinhas? Por quê?”

Diga que há muitos tipos de escultura. Algumas se movimentam, outras emitem sons, outras ainda são interativas e outras não. Estas devem ser apenas observadas.

A escultura Sem título (1997), de José Resende, foi originalmente produzida para ser observada. Contudo, ela foi colocada no Jardim das Esculturas, do Museu de Arte Moderna, no Parque do Ibirapuera. O público percebeu que jogando pequenas pedras contra a chapa metálica era possível produzir sons que se amplificam no espaço.

Esse aspecto interativo e lúdico não havia sido previsto pelo artista. Quando soube como as pessoas estavam interagindo com sua obra no parque, ficou surpreso, mas incorporou essa interação à obra. Nesse caso, a arte surpreendeu não só o público que se deparou com a obra, mas o próprio artista que a fez, ao ver o que as pessoas passaram a criar com sua obra.

Explique que na vida diária há várias situações em que objetos comuns são usados para outra finalidade. Do mesmo modo, a arte também se apropria de diversos objetos, transformando-os em obras, e o público também pode se apropriar da arte, criando coisas que o artista mesmo não havia planejado! Enfatize que isso é possível com algumas obras, mas que existem obras que não devem ser manipuladas de forma alguma. É importante fazer essa separação. Em geral, um espetáculo de rua ou uma obra pública estão muito mais suscetíveis à interação, e há outras que, se tocadas, podem ficar gravemente danificadas. De qualquer forma, é importante sempre verificar o que é ou não permitido ao interagir com uma obra ou espetáculo.

Pergunte aos estudantes se alguma vez já usaram alguma coisa que tem uma finalidade definida como outra. É importante notar que a brincadeira e o faz de conta muitas vezes consistem nisto: subverter o uso convencional dos objetos. Encerre a atividade reforçando o aspecto lúdico da arte e a possibilidade de novos usos para os objetos. 

2ª atividade
Inicie a atividade organizando a turma em grupos com quatro estudantes cada. Distribua uma parte da sucata para cada grupo de modo que todos tenham material suficiente para realizar a atividade.

Solicite aos grupos que produzam uma escultura e lembre-os de que o objeto usado para a escultura tinha uma finalidade diferente daquela para a qual está sendo aproveitada nesse momento, mas que mesmo assim as características que lhes são próprias devem ser aproveitadas.

Mostre formas de incorporar essas características dos objetos, com aproveitamento lúdico. Por exemplo, explique que as embalagens plásticas podem produzir sons e mencione que são diferentes os sons quando uma garrafa d’água é apertada com as mãos ou batida contra outro objeto. De outros objetos, os estudantes podem aproveitar as cores na composição do novo objeto, de alguns ainda a maleabilidade, a maciez ou a dureza, e assim por diante.

Esclareça aos estudantes que eles deverão entrar em um acordo sobre o que vão fazer com as embalagens plásticas e o modo como vão produzir o objeto. Todos devem ajudar seu grupo nessa produção. Ao final da produção, valorize o que eles fizerem.

A seguir, cada membro do grupo deve pensar em pelo menos dois usos para a escultura. Embora a arte não tenha necessariamente uma finalidade, é interessante que os estudantes possam exercitar a imaginação.

Por fim, peça para que cada grupo escolha virtualmente um lugar público (rua, parque, praça, etc.) para expor a escultura que confeccionaram e explique a escolha. A justificativa, nesse caso, depende de um acordo entre os membros do grupo.

Lembre-se de reunir os trabalhos e guardá-los no portfólio da classe.

3ª atividade
Neste momento, os estudantes devem ajudar na limpeza da sala. Em seguida, organize-os em uma roda de conversa.
A seguir, permita aos estudantes que falem sobre a relação da arte com a cidade e com a maneira como passaram a se relacionar com alguma obra. Procure identificar se alguma situação nova produziu surpresa na turma. Em caso afirmativo, valorize a situação e tente perceber a fonte do espanto. 

Veja se os estudantes estão mais atentos às relações que um material pode estabelecer com outro e como as pessoas podem relacioná-los, de modo artístico e cotidianamente. Peça que respeitem todas as manifestações artísticas, mesmo que inicialmente não entendam ou não concordem com elas.

Aferição de aprendizagem
Há quatro aspectos a serem observados, desejáveis como resultados das aprendizagens pretendidas nesta sequência:

• que os estudantes sejam capazes de identificar manifestações artísticas na cidade;

• que os estudantes reconheçam materialidades e processos da escultura;

• que os estudantes sejam capazes de interagir de modo lúdico com a arte;

• que os estudantes compreendam que os objetos podem ter mais de um uso.

Questões para aplicar aos estudantes

1. Alguma obra lhe causou espanto ou o surpreendeu. Por quê?

2. Como você pode se relacionar com uma escultura?
Espera-se que os estudantes indiquem que são diversas as maneiras a depender do objeto e do contexto no qual está inserido.

3. Quantos usos podem ter um objeto?
Os estudantes podem indicar que existem tantos usos quanto são possíveis os tipos de interação. 

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