Povos africanos e indígenas - Exercícios 8ºano com gabarito (EF08HI14)

(EF08HI14) Discutir a noção da tutela dos grupos indígenas e a participação dos negros na sociedade brasileira do final do período colonial, identificando permanências na forma de preconceitos, estereótipos e violências sobre as populações indígenas e negras no Brasil e nas Américas.

1. Em 2004, no 1º Encontro Nacional de Povos em Luta pelo reconhecimento Étnico e Territorial, ocorrido em Pernambuco, o cacique Pequena, da etnia Jenipapo-Kanindé, afirmou: “Passamos muito tempo com a voz escondida, mas não morremos e estamos muito vivos. Somos resistentes nesta luta”. Indique a alternativa que melhor expressa as condições históricas que explicam a afirmação do cacique:

(a) Os povos indígenas estiveram sempre ao lado do colonizador português, resistindo aos invasores franceses e holandeses, desde o período colonial.

(b) Os povos indígenas foram dizimados e desapareceram ainda no século XVIII, em virtude das guerras e de doenças transmitidas pelos homens brancos.

(c) Os povos indígenas foram escravizados e violentamente atacados pelos colonizadores portugueses, mas permaneceram resistindo ao extermínio e ao etnocídio.

(d) Os povos indígenas se miscigenaram completamente com os colonizadores, resistindo ao desaparecimento por meio da mestiçagem e da integração cultural.

(e) Os povos indígenas mantiveram-se isolados, em silêncio, e só reapareceram no século XX para reclamar seus direitos de origem.

Alternativa C

A questão refere-se ao longo processo de luta e resistência dos povos indígenas, solicitando do aluno que identifique a permanência dessa resistência no tempo presente. As alternativas A e E não se referem a processos históricos efetivos, portanto, se selecionadas, indicam a necessidade de uma retomada dos estudos sobre os conflitos entre portugueses e indígenas ao longo da colonização. As outras alternativas sugerem, de forma equivocada, o desaparecimento dos povos indígenas, seja pelo extermínio completo (B) ou pela integração étnico-cultural (D), portanto, caso sejam escolhidas, é importante reforçar com os alunos a existência atualmente de mais de 250 povos em território brasileiro, com uma população de quase 900 mil pessoas.

2. Durante todo o período colonial brasileiro, os escravizados africanos encontraram diferentes formas de resistência e rebeldia contra a condição imposta. Indique qual alternativa descreve as formas mais comuns de resistência:

(a) A formação de quilombos e as ações judiciais contra os proprietários mais violentos.

(b) A criação de sindicatos, partidos e outras formas de organização política que defendiam os direitos dos escravizados.

(c) Os suicídios coletivos, que devastavam os engenhos de cana-de-açúcar e a atividade mineradora.

(d) A resistência pacífica e a desobediência civil, únicos meios de se opor aos interesses metropolitanos. 

(e) A formação de quilombos, a violência individual contra senhores e feitores, as sabotagens e paralisações do trabalho.

Alternativa E
A questão trabalha com as formas mais comuns de resistência dos escravizados ao sistema escravista durante o período colonial. É importante destacar que as formas jurídicas e de estrutura política mais modernas (indicadas nas alternativas A, B e D) não eram compatíveis com a estrutura do poder colonial nem com o estatuto jurídico dos escravizados (considerados propriedade, e não sujeitos de direitos). Além disso, a alternativa C, caso seja escolhida, talvez indique que o aluno não compreendeu os conteúdos fundamentais desse processo histórico, visto que não faz referência a nenhum acontecimento conhecido. 

3. Inúmeros documentos históricos, produzidos durante o período colonial e que chegaram aos dias atuais, tratam os diferentes povos indígenas simplesmente como “índios” e os diversos povos de origem africana apenas de “escravizados”. Essa denominação genérica permaneceu durante todo o século XX na linguagem comum e, muitas vezes, nos livros. Por que, atualmente, é importante falar em “povos indígenas”, e não em “índios”? Por que falamos também em escravizados, e não em “escravizados”?
A questão refere-se à permanência de preconceitos e formas de discriminação contra os povos africanos e indígenas nos dias atuais. Espera-se que o aluno compreenda como os usos da linguagem expressam nossas formas de compreensão do mundo: ao falarmos em “povos indígenas”, reconhecemos a diversidade étnica e cultural dos mais de 250 povos que, atualmente, ocupam o território brasileiro. Do mesmo modo, quando falamos em “escravizados”, fazemos referência à condição imposta pela força do colonizador, que transformou homens livres na África em pessoas escravizadas no território brasileiro.

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